A lista A, que se apresenta às eleições para o Conselho Geral, sob o princípio “uma nova ambição para a Universidade de Coimbra”, saúda todos os docentes e investigadores aos quais se dirige e saúda em especial os colegas que integram as restantes listas candidatas, com as quais pretende manter um debate esclarecedor e construtivo sobre as respectivas propostas.
Temos consciência de que o Conselho Geral não tem as funções executivas que o novo regime jurídico e os novos estatutos atribuem ao Reitor da Universidade. Mas sabemos também que na sua acção se podem consubstanciar linhas decisivas para a definição da Universidade e do seu futuro: desde logo porque lhe compete eleger o Reitor da Universidade e apreciar a sua acção, mas também porque é este o órgão que, entre outras atribuições, aprova as linhas gerais da orientação da universidade, os seus planos estratégicos a médio prazo, os planos anuais de actividades e as respectivas propostas de orçamentos.
Por esse motivo, resumimos em cinco pontos fundamentais os princípios que pautarão a nossa acção no Conselho Geral:
1. Afirmar a participação e a colegialidade como opção prioritária e regra de governo da Universidade;
2. Valorizar a governação estratégica assente no arrojo e na liderança na planificação, na previsão, na programação e na execução;
3. Sem descurar a formação inicial, dar um lugar de destaque à investigação e à formação pós-graduada como áreas fundamentais em que se revela a excelência da Universidade;
4. Dar densidade à internacionalização baseada na qualidade, no rigor e em opções que intensifiquem redes assentes no cruzamento de uma dinâmica de fluxos que corresponda à política de integração no espaço europeu e à crescente mobilidade no espaço da lusofonia;
5. Aprofundar uma reflexão estratégica, amplamente participada, sobre a organização dos saberes na Universidade, desenhando as alterações necessárias para superar divisões cristalizadas e obsoletas e para corresponder às novas constelações com que a transversalidade e a interdisciplinaridade desafiam a nossa organização interna.
Se reclamamos “uma nova ambição para a Universidade de Coimbra” é porque entendemos que, nos últimos anos, ela não tem sido suficientemente ambiciosa. Se assumimos como prioritário o princípio da participação e da colegialidade como regra de governo é porque consideramos que algumas opções tanto do regime jurídico do ensino superior como dos estatutos da Universidade de Coimbra nem sempre o respeitaram e porque julgamos que uma das maiores riquezas da universidade está nos seus recursos humanos e na sua capacidade de intervenção. Se pretendemos uma governação estratégica e ousada é porque assumimos que a Universidade não pode evoluir através de uma simples “navegação à vista”. A centralidade que damos à investigação de excelência e à especialização pós-graduada contrapõe-se a uma esquematização da oferta no que se refere ao ensino e à investigação estritamente com base nos critérios da flutuação do mercado. A internacionalização pautada pelo rigor, pela qualidade e pela coerência não é compatível nem com simples multiplicações de protocolos, nem com seguidismos apressados de processos de internacionalização que sacrifiquem a qualidade e a profundidade do ensino a critérios economicistas ou a uniformizações nem sempre desejáveis. A ambição de uma reorganização dos saberes que assumimos implica a capacidade de relativizar criticamente a actual estrutura orgânica da Universidade.
É plural a origem dos elementos que integram esta lista, tanto no que se refere aos diferentes saberes que representam, como no que se refere às sensibilidades políticas com que pretendem dar resposta aos problemas da Universidade de Coimbra. Mas não acreditamos que se possam elaborar as linhas do desenvolvimento da universidade, como serviço público, sem assumir a dimensão e a natureza política da própria universidade e o carácter político da intervenção no seu seio. O que implica reconhecer que as divergências e, por vezes, as polarizações são factor de enriquecimento e não de travão à construção de plataformas de acção. É por isso que os princípios programáticos que apresentamos assentam em tomadas de posição clara e não no discurso apaziguador e tecnocrático da subalternização das ideologias: não é à margem de uma apreciação dos caminhos desenhados para a sociedade que se podem desenhar os caminhos da própria universidade.
Neste momento, não nos apresentamos como apoiando qualquer candidatura a Reitor da Universidade; é por isso que os nossos princípios privilegiam a definição das linhas gerais que pautarão a nossa actuação e não o nome ou o perfil de quem poderá vir a ser eleito Reitor da Universidade de Coimbra.
Convidamos todos os universitários, votantes ou não neste processo eleitoral, a que discutam as nossas propostas, contribuam com as suas sugestões e enriqueçam o programa que assumimos. A nossa ambição é também e sobretudo a ambição de uma universidade democrática e participativa.